Eclipse: O Espelho de uma Memória Perdida
- 13 de fev.
- 2 min de leitura
A Génese: Uma Escrita Além da Consciência

Serei honesta convosco: não me lembro de escrever este livro. A criação de Eclipse aconteceu num estado de
consciência automatizada, como se as palavras tivessem urgência em sair antes que eu as pudesse processar. Só mais tarde, ao ler a obra finalizada, é que compreendi o que tinha acontecido. Descobri que a nossa mente tem uma capacidade impressionante de se projetar nas palavras, transformando traumas e aprendizagens em ficção.
A Ideia: Onde a Realidade Encontra a Ficção
Eclipse explora o lado mais sombrio da mente humana — aquele lugar onde a identidade e a liberdade podem ser manipuladas até se tornarem irreconhecíveis. A ideia central do livro, que surgiu de forma quase instintiva, reflete a minha própria jornada.
Houve uma fase da minha vida em que decidi "apagar" memórias dolorosas. Fui uma adolescente rebelde e passei por momentos de que não me orgulho, mas que foram fundamentais para a pessoa que sou hoje. O livro nasceu dessa luta silenciosa contra o esquecimento e da resistência emocional necessária para enfrentar o que tentamos esconder.
As Personagens: Lyra e o Reflexo da Minha Alma
A Lyra não é apenas uma protagonista; ela é a personificação da minha fase de perda de memória. No livro, Lyra acorda num mundo estéril, onde a sua mente passou por um "processo de limpeza" para neutralizar traumas e dores.
A Perda e o Vazio: Tal como eu tentei apagar o meu passado, Lyra sente a ausência de si mesma como um fardo esmagador.
A Rebeldia e a Verdade: A resistência dela contra aqueles que tentam moldar a sua nova identidade reflete o meu próprio crescimento. Através dela, exploro a consciência do certo e do errado que não me foi ensinada por livros, mas pela experiência dura da vida e da maldade humana.
Resiliência: O que mais me orgulha na Lyra é a forma como ela molda a dor da perda em resiliência. Ela mostra que o que realmente importa é saber aprender com os erros e transformá-los em força para o futuro.
O Legado: Uma Colheita de Esperança
Este livro é dedicado àqueles que valorizam a existência acima dos bens materiais. É um pedido de desculpa silencioso, um reconhecimento das minhas falhas e uma celebração da maturidade.
Em Eclipse, o fim da sombra não é uma fuga, mas uma escolha consciente de construir algo novo a partir das ruínas. É a prova de que, mesmo quando decidimos esquecer, a nossa essência permanece lá, como uma "centelha teimosa" que se recusa a ser apagada.
«Escrevo porque acredito que todos carregamos uma centelha, um vestígio de quem realmente somos, mesmo quando o mundo tenta apagar-nos.»




Para quem já leu este livro, aqui só se lê honestidade. Há aqui vulnerabilidade e isso torna o livro ainda mais poderoso.
A ideia de escrever num estado quase inconsciente como se a história precisasse de sair antes de ser compreendida é intensa. Ou seja, o livro não foi criado. Foi libertado. Como se fosse algo que já estava dentro de ti há muito tempo.
A ligação entre ti e a Lyra é muito forte. Não é apenas inspiração... é reflexo. A perda de memória como metáfora para tentar apagar partes de nós bate com força. Porque já todos quisemos esquecer alguma coisa. E perceber que apagar não cura é uma aprendizagem dura.
Gosto especialmente da ideia de que a sombra…