O Lado Oculto de Sideways: Quando a Ficção se Torna o Meu Próprio Espelho
- 18 de fev.
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"Escrever sobre a criação de uma obra é, de certa forma, abrir uma porta para os bastidores da minha própria mente e partilhar as fragilidades que muitas vezes ficam escondidas entre as linhas da ficção. Se em Poison and Light explorámos a busca pela luz e em Eclipse mergulhámos no resgate da identidade, Sideways surgiu como uma aterragem visceral e necessária no campo de batalha do coração humano. A verdade é que este livro trilhou um caminho muito diferente dos seus antecessores, pois nasceu do desejo de explorar o universo do romance sombrio por meio de uma lente que me era estranha e, ao mesmo tempo, profundamente familiar. No início, enfrentei algo que todos os autores temem, mas poucos discutem abertamente: o meu primeiro verdadeiro bloqueio de escritor. Escrevi o capítulo inicial, deixei-me envolver por todo aquele drama latente do primeiro encontro entre as personagens, mas depois o vazio instalou-se e não conseguia sentir para onde a história deveria caminhar.
Foi numa procura quase desesperada por inspiração, perdida entre melodias que pudessem traduzir a intensidade que eu pretendia, que encontrei a música Sideways do Illenium. Naquele momento, tudo fez sentido e o contexto daquela composição moldou-se perfeitamente à alma da história que eu precisava de contar. O entusiasmo regressou com uma força renovada à medida que desenhava o enredo da perseguição e a complexidade de Rafaela, especialmente no momento em que ela decide desaparecer e construir uma nova persona para sobreviver. Escrever sobre esta fuga e sobre a reinvenção de si mesma fez-me sentir que, de alguma forma, estava a falar sobre mim e sobre as minhas próprias vivências.
Identifico-me profundamente com a Rafaela porque, tal como ela, venho de uma família humilde que enfrentou grandes dificuldades. Tudo o que sou hoje e o que conquistei é fruto de um esforço imenso, tanto meu como da minha família, e essa resiliência é o alicerce da minha personalidade. Houve uma fase mais negra na minha vida em que também eu senti essa vontade de fugir do mundo e de criar uma versão diferente de mim mesma para enfrentar a realidade. No que toca a Matheo, embora eu não tenha um na minha vida, admito que conheci muitos homens com traços semelhantes ao longo do meu percurso. Ele representa o tipo de magnetismo que sempre captou a minha atenção e, honestamente, consigo rever-me na possibilidade de viver exatamente o que a Rafaela viveu.
Sideways é, acima de tudo, uma exploração de uma visão diferente sobre o amor, uma abordagem que aceita as contradições e as zonas cinzentas que todos carregamos. Através desta história, permiti-me ser a Rafaela na sua essência mais pura, validando a ideia de que, por vezes, cair para o lado não é o fim da nossa jornada, mas sim o início de uma descoberta muito mais verdadeira sobre quem somos e sobre o que estamos dispostos a enfrentar para proteger a nossa paz. Este livro é o meu império pessoal, um testemunho de que o caos não surge apenas para destruir, mas para demolir as prisões que construímos em torno de nós mesmos, permitindo que algo muito mais forte e belo nasça das cinzas."
"Para os perfeitamente imperfeitos, que sabem que as batalhas mais ferozes são as que ninguém vê."




(Escrito por alguém ansiosa por ler, mas ainda sem sucesso...)
Dá para sentir que este livro é diferente. Parece mais cru, mais emocional, mais exposto. A ideia de ter nascido de um bloqueio criativo e de uma música que desbloqueou tudo deixa-me ainda mais curiosa.
A Rafaela soa intensa. Essa decisão de desaparecer, de criar uma nova identidade para sobreviver… isso já diz muito. Parece uma personagem forte, mas ao mesmo tempo frágil. E o facto de ela refletir partes reais tuas torna tudo mais profundo.
E depois, essa ideia do “cair para o lado” não como derrota, mas como início... Parece que o livro vai explorar um amor menos idealizado e mais real, com escolhas difíceis e zonas cinzentas.