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Entre o Ontem e o Amanhã: O Meu Encontro com o Agora

  • 18 de mar.
  • 4 min de leitura

"Escrevo estas linhas como quem finalmente respira fundo depois de uma longa caminhada, olhando para o horizonte com a clareza de quem já não carrega pesos desnecessários.

Ao mundo, deixo este registo de uma alma que aprendeu a ver beleza na imperfeição e força na vulnerabilidade, reconhecendo que cada capítulo anterior foi essencial para a composição do que sou hoje.

Quero começar por agradecer por cada curva apertada, por cada obstáculo que parecia intransponível e por cada momento de dúvida que, sem eu saber na altura, estava apenas a temperar a minha vontade e a limpar-me a visão. Tudo o que vivi até este ponto, desde as vitórias mais efusivas até os silêncios mais pesados e solitários, foram os mestres silenciosos que me moldaram, e por isso guardo uma gratidão profunda por cada lição, sem qualquer exceção ou arrependimento.


No entanto, hoje decido com total serenidade que o passado cumpriu o seu propósito e, com a mesma reverência com que o agradeço, deixo-o finalmente descansar onde ele pertence: nas páginas já lidas da minha história. Não há mais espaço para o eco do "e se" ou para o peso do remorso, pois compreendo agora que essas memórias são apenas marcos de uma estrada que já percorri, não o destino onde devo habitar. Aceito o presente com os braços abertos e o espírito atento, reconhecendo que este exato momento é a única realidade onde posso realmente existir, florescer e ser eu mesma, sem máscaras, sem pressas e em paz com a minha própria jornada.

Olho para o futuro não com a ansiedade de quem tenta controlar o amanhã, mas com o entusiasmo genuíno e a curiosidade de quem sabe que o melhor ainda está por ser escrito.


Estou pronta para os novos começos, para os encontros inesperados e para as surpresas que a vida reserva a quem caminha com o coração leve. Que estas palavras sirvam como o meu compromisso público de viver com integridade e coragem, ansiando por cada novo amanhecer com a certeza de que a beleza da vida reside precisamente na sua capacidade de se renovar. O meu caminho continua agora, livre de amarras e cheio de luz.


Esta nova etapa é marcada por um silêncio que já não me assusta, mas que me serve de bússola. Nas entrelinhas de tudo o que foi sentido e registado até aqui, encontro agora o fio condutor de uma resiliência que antes desconhecia. Percebo que cada desafio foi, na verdade, um convite para olhar para dentro e que o mundo, na sua imensa complexidade, foi o cenário perfeito para a minha evolução. Já não sinto a necessidade de provar nada a ninguém, apenas de honrar a verdade que descobri no meio das tempestades e dos momentos de bonança. Agradeço por ter aprendido a distinguir o que é essencial do que é passageiro e por ter finalmente a coragem de largar o que já não me serve, deixando espaço para o que há de vir.


Ao aceitar este presente, compreendo que a paz não é a ausência de conflito, mas a capacidade de permanecer inteira no meio dele. Olho para as cicatrizes do passado com um sorriso de quem sabe que elas são apenas mapas de batalhas vencidas, e não limites para onde posso chegar.


O mundo tornou-se um lugar mais vasto desde que decidi deixar de o ver através do filtro do medo, passando a vê-lo como um campo fértil de possibilidades. Sinto uma gratidão imensa por cada pessoa que passou pela minha vida, pelas que ficaram e pelas que partiram, pois todas foram espelhos de partes de mim que eu precisava de conhecer e integrar.


Caminho agora com a certeza de que a vida me apoia e que cada passo, por mais incerto que pareça, faz parte de um desenho maior e mais luminoso. Esta é a minha promessa de continuar a crescer, a aprender e a amar a jornada tal como ela se apresenta, sem pressa de chegar a um destino final. O futuro já não é uma interrogação que me causa vertigem, mas uma folha em branco que me convida a escrever com as cores da minha própria verdade. Estou aqui, estou presente e estou pronta para tudo o que a vida queira, generosamente, oferecer-me.


Concluo este manifesto pessoal com a alma leve e a mente em paz, sabendo que cada palavra escrita aqui é um selo de compromisso com a minha própria felicidade. Este é o ponto final num ciclo de busca incessante e o início de uma era de presença absoluta, onde cada respiração é um ato de liberdade.

Deixo ao mundo esta promessa de autenticidade, despedindo-me das sombras que outrora me definiram para abraçar a luz que agora emana de dentro para fora. Não há mais peso, apenas a leveza de quem se encontrou no meio do caminho e decidiu que o resto da viagem será feita com os olhos postos no horizonte, sem olhar para trás.

Que este encerramento seja, na verdade, a abertura de todas as portas que o destino guardou para mim até este momento exato.

Sigo em frente, inteira e grata, pronta para ser a autora da minha própria história, confiante de que o melhor de mim ainda está por ser descoberto e partilhado."



Helena Colaço

4 comentários


Membro desconhecido
02 de abr.

Amei ler isto… mesmo. Sente-se que estás numa fase tão mais leve e segura de ti.

Dá mesmo orgulho ver-te falar assim do teu caminho, sem peso, sem culpa... só com aceitação e verdade. Nem toda a gente consegue chegar aí.

E sabes o melhor? Nota-se que não é só palavras bonitas… é mesmo sentido.

Que continues assim, a escolher-te todos os dias. Estou mesmo feliz por ti 🤍

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Membro desconhecido
02 de abr.
Respondendo a

😘

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