Shadow's Child - Capítulo 2 - Preview
- 13 de fev.
- 3 min de leitura
O segundo capítulo do Shadow's Child afasta-se da solidão de Nephz para nos apresentar a Whipoz, uma aldeia aninhada entre a civilização e a magia ancestral da floresta.
Descubra o momento em que dois mundos colidem.

Fragmento de Conto: A Fronteira do Silêncio
A aldeia de Whipoz aninhava-se na suave encosta, um lugar de pedra clara e telhados musgosos, onde a vida oscilava entre os campos de trigo selvagem e a floresta que guardava a sabedoria dos tempos. Aqui, o ancião Eron ouvia os pensamentos do vento, e as suas filhas, Lyer e Rurukun, cresciam sob a sombra de um destino incerto. Lyer era a chama, de olhos âmbar e curiosidade indomável; Rurukun, a água, calma e reservada.
Impulsionados pelo Ritual da Orla – uma busca por visões e fragmentos de silêncio – os jovens de Whipoz ousaram tocar os limites da floresta. Mas foi Lyer, seguindo o rasto de um esquilo, que se afastou mais do que o permitido, mergulhando no lugar onde o mundo dos homens se dobra perante o reino ancestral.
A luz dourada trespassava as copas, banhando uma clareira silenciosa. E ali estava ele.
Nephz.
Uma criatura feita de floresta, de cicatrizes finas e cabelos selvagens, os olhos de uma profundidade que só os animais possuem. Um ser nu da cintura para cima, que se movia com a graça silenciosa da matilha que o acolhera. Pela primeira vez na sua vida moldada por uivos e sussurros de folhas, Nephz viu a forma humana que se assemelhava à sua, mas que transportava um mundo diferente no seu passo. Cada instinto lhe gritava para se fundir nas sombras, mas uma força invisível, magnética, prendia-o ao olhar de Lyer.
A rapariga da aldeia ajoelhou-se, o coração a bater como um tambor esquecido. A floresta tremeu com a tensão do inesperado.
“Olá…?”
A voz de Lyer era um som novo e belo, tecendo um feitiço. Ele recuou. Ela estendeu a mão, um convite silencioso. Ele imitou-a, num espelhamento puro e instintivo, o seu primeiro diálogo.
Lyer disse o seu nome, e Nephz desenhou o seu na terra: uma folha, um lobo, uma espiral. A sua mente gritava a memória fragmentada de Ravenna, a feiticeira que o criou com a sua dor, mas as palavras presas. Ele era a floresta, ela era a aldeia.
O tempo parou para os dois jovens naquela clareira, até que a urgência de uma voz distante se fez ouvir: "LYER! A noite está a cair!"
Lyer levantou-se, o peso do mundo real a cair sobre ela.
"Tenho de ir…” disse, com tristeza. "Mas vou voltar. Eu prometo."
Ele observou a sua figura fundir-se na penumbra. Quando ficou sozinho, com o eco da sua promessa a vibrar no seu coração selvagem, Nephz sentiu-se pela primeira vez vazio. Não o vazio da sua origem mágica, mas o vazio da ausência. A floresta, antes a sua companheira perfeita, agora era um lugar de espera, de anseio por um reencontro.
A promessa de Lyer era a primeira fenda no seu mundo, e a floresta nunca mais seria a mesma.
Citações Exclusivas do Capítulo
Deixe-se levar pelo tom e pela emoção das palavras:
"A aldeia de Whipoz não era apenas um aglomerado de casas, mas um organismo vivo aninhado numa encosta suave, um ponto de equilíbrio entre a vastidão das colinas cobertas por trigo selvagem e a densidade mística da floresta antiga."
"Ele estava agachado, os dedos tocando a terra com uma delicadeza quase reverente, nu até à cintura... O cabelo caía-lhe em mechas selvagens, emoldurando um rosto que parecia esculpido pela própria natureza."
"Cada fibra do seu ser selvagem gritava-lhe para fugir... No entanto, um poder invisível, magnético, emanava daquela figura de olhos âmbar e pele clara, prendendo-o ao local..."
"Era como uma dança ancestral, um diálogo sem palavras, onde cada gesto era uma pergunta e uma resposta."
“Quando ficou sozinho de novo, com o eco das palavras dela a reverberar no seu coração, sentiu pela primeira vez o que era esperar.”




Este capítulo mudou completamente o ritmo...
Saímos da solidão quase mística de Nephz e entramos num mundo mais humano, mais concreto, com a aldeia de Whipoz a servir de ponte entre dois universos. Sente-se mesmo que algo maior está a começar.
O encontro entre Lyer e Nephz é bonito e delicado. Não é dramático nem violento. É silencioso, sagrado. Aquela troca de gestos, o espelhamento, o nome desenhado na terra… é simples, mas cheio de significado. É o primeiro momento em que Nephz não reage como uma criatura da floresta, mas como alguém que começa a sentir ligação.
E aquele vazio que ele sente quando ela vai embora. O vazio da ausência. Isso é poderoso. Mostra crescimento. Mostra que algo…