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Shadow's Child - Preview 1º Capítulo

  • 12 de fev.
  • 4 min de leitura

O Capítulo I de Shadow's Child mergulha o leitor no coração de uma floresta ancestral, onde as leis da natureza são apenas um véu para algo muito mais profundo. Neste cenário etéreo, surge um enigma: uma criança, que não nasceu, mas simplesmente "foi".



Ele é Nephz, um ser de presença leve como a névoa, materializado a partir de um ato desesperado de magia. O seu nascimento é um rasgo, um fragmento de essência da poderosa feiticeira Ravenna, que, para se libertar da terrível maldição conhecida como PoisonedOath, fragmentou a sua própria alma. Nephz é esse fragmento, um eco sem passado, uma tela em branco esperando as cores da existência.


“Surgira do rasgo deixado pela magia dilacerada de Ravenna… E da parte arrancada, da dor transmutada em vazio, nasceu ele — um eco sem passado, uma alma ainda por fazer, uma tela em branco à espera das cores da existência.”


Nos primeiros dias, a floresta tecida de luz e segredos murmura à sua volta, observando-o. Nephz não tem palavras nem conceitos, apenas a capacidade de sentir: o calor do sol, o frio da pedra, a textura da casca das árvores. É um universo em miniatura a desdobrar-se, uma unidade perfeita na sua ignorância.


O Pacto com a Natureza


A sua vida de observação solitária muda drasticamente numa noite de lua cheia, quando a quietude ancestral é interrompida. Das sombras emerge uma matilha de lobos, liderada por Mina, a Alfa.

Mina, com olhos que carregam a sabedoria de eras, não encontra ameaça no rapaz, mas sim um espaço vazio, moldável, uma inocência primordial. Num gesto quase cerimonial, ela sela um pacto: a loba Alfa escolhe-o, acolhendo-o no calor e na proteção da alcatéia. O perigo e o abrigo confundem-se, mas pela primeira vez, Nephz sente algo que se assemelha a pertença.

Sob a tutela paciente de Mina, Nephz aprende a linguagem dos lobos — a mover-se como uma sombra, a ler o humor do vento, a ouvir o mundo como quem ouve um coração. A floresta torna-se o seu lar e a matilha, a sua família, forjando-o no cadinho da vida selvagem.


O Despertar do Mistério


No entanto, Nephz é inegavelmente diferente. Enquanto os lobos sonham com caçadas e luas cheias, ele é assombrado por imagens estranhas: fragmentos de uma memória que não é sua. Visões de Ravenna, gritando sob chamas impossíveis, e uma voz urgente que o chama por um nome desconhecido: “Oath…”

À medida que cresce, a sua ligação com a floresta aprofunda-se, mas a inquietação aumenta. Sentindo-se um estranho, um "estranho entre irmãos de alma", a sua frustração explode em perguntas: “Por que não sou como eles?”


Mina, a sábia Alfa, acalma a sua angústia com um olhar profundo e decisivo: “Não precisas ser lobo para pertencer.” É neste momento de revelação que Nephz começa a construir as primeiras pedras do seu próprio caminho, compreendendo que o vazio dentro de si não é uma falha, mas sim uma origem.

O Capítulo I culmina com o crescimento de Nephz num jovem selvagem e com o inevitável adeus à sua mentora, Mina. A sua partida sela o fim da sua infância e o início da sua busca por respostas. As visões e o nome proibido — PoisonedOath — chamam-no para além dos limites da floresta, para a sombra deixada pela criadora que nunca conheceu.


Se sou o que sobrou dela… quem sou eu, quando ela estiver completa de novo?

Descubra o início desta jornada onde a inocência selvagem se confronta com os ecos de uma magia dilacerada e um destino por desvendar.

Desfrute de alguns dos excertos mais marcantes do Capítulo I, que definem o mistério e a beleza desta narrativa de origem:

Citação


1. "A luz do sol, filtrada pela folhagem densa, parecia hesitantemente desenhar os contornos da sua forma etérea, e o chão, coberto por um tapete de folhas secas e húmus, não registou o impacto de um peso que ainda não possuía."

A chegada misteriosa e etérea de Nephz.

2. "Surgira do rasgo deixado pela magia dilacerada de Ravenna, uma feiticeira de poder imenso e desespero ainda maior. E da parte arrancada, da dor transmutada em vazio, nasceu ele — um eco sem passado, uma alma ainda por fazer..."

A origem mágica e dolorosa do protagonista.

3. "Mina não rosnou. Não avançou com agressividade. Parou a alguns passos do rapaz, com a cabeça levemente inclinada, o focinho a farejar o ar, captando a essência invisível da alma ainda por formar de Nephz."

O primeiro encontro entre o rapaz e a loba Alfa.

4. "Ele ainda não era alguém, mas já não era ninguém; estava a forjar-se, peça por peça, no cadinho da matilha. No reflexo dos olhos âmbar de Mina, Nephz começou a vislumbrar a sua própria imagem..."

A transformação de Nephz sob o cuidado dos lobos.

5. "Uma voz que parecia vir de um lugar muito distante e esquecido, chamava-o por um nome que ele ainda não conhecia... “Oath…” – a voz ressoava, baixa e urgente, carregada de uma súplica antiga. “Volta…”"

O início dos pesadelos e o mistério de PoisonedOath.


Não deixo de dizer que à medida que vamos conhecer Nephz, a História de Ravenna intensifica-se e , sem a conhecer, bem... Fica ao critério do leitor!


1 comentário


Membro desconhecido
19 de fev.

Uau…

A ideia de Nephz não ter nascido, mas simplesmente "ter sido", é poderosa. Há ali qualquer coisa muito poética e ao mesmo tempo inquietante. É inocência pura, mas carrega uma origem pesada... trágica.

Adorei especialmente a ligação com a matilha e com a Mina. O facto de ela o reconhecer sem medo, dá aquela sensação de pertencer e proteção. É bonito ver essa fase selvagem como a verdadeira infância dele.

E depois as visões. O nome “Oath”. A sombra da Ravenna sempre presente mesmo quando ela não está. Isso cria uma tensão enorme. Sentimos que a calma da floresta é só o começo de algo muito maior e mais sombrio.

Fiquei mesmo curiosa para perceber quem Nephz vai escolher…

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